
Ontem tive um pensamento estranho. Mas que, de tão estranho, incomum, me levou a algumas reflexões. Estava eu, aqui, de frente para o computador, quando, em um estalo, me veio à cabeça: eu vou morrer. Não hoje, amanhã, ou em qualquer outro dia determinado. Apenas um dia não existirei mais (pelo menos não aqui nesta terra).
Lógico que, à primeira vista, é um pensamento pra lá de mórbido, deprimente. Mas como toda moeda tem duas faces, pode ser um belo ponto de partida para se abrir a janela e aproveitar um simples pôr-do-sol.
Desperdiçamos muito do nosso ínfimo tempo de vida planejando ter mais, buscando ter mais, pensando que o mais trará felicidade. E quando esse mais vem, queremos mais. mais. mais. MAIS!!!! Vivemos na expectativa de sermos felizes. Mas se sempre vivermos nessa busca incessante do mais, teremos perecido sem termos provado da plenitude da vida.
Não digo que não devamos querer mais. Mas não se resume a isso. Vamos então aproveitar cada momento de que dispomos. Cada alegria, cada tristeza. Cada angústia, cada esperança. Vamos viver intensamente cada beijo, cada olhar, cada lágrima, cada sorriso. Vamos deixar a vida fluir em nossas veias, correndo juntamente com o sangue, bombardeando cada canto da nossa alma com sua força.
Vamos dar vazão à loucura, à criancice que há em nós, e num dia qualquer, largar tudo, descer à praia só pra contemplar o nascer do sol, após passar a noite ao som das ondas, ou pegar a estrada, ir ao campo para contar as estrelas. Só para curtir o momento, por mais doido que isso possa parecer.
Viva, e deixe viver!
Uma obra e história fabulosas de perserverança e superação dos limites humanos pela qual o autor acaba transmitindo seu apelo de paz ao mundo de forma sublime, num ensaio autobiográfico em quadrinhos" (Folha de São Paulo)
Hiroshima, 6 de agosto de 1945. O dia da destruição causada pela bomba nuclear. Um dos dias mais tristes da história da humanidade. Na arrogância e ambição dos homens, milhares de vidas são ceifadas como meros instrumentos de guerra.
É nesse cenário de desesperança que se desenrola o enredo de Gen: Pés Descalços (Editora Conrad, em 4 volumes). Esse mangá traz de modo realista o cenário pós-bomba na região de Hiroshima. Conta a história de Gen, cuja família é discriminada por sua posição anti-militarista e é destruída durante a tragédia, sobrando sua mãe e irmã recém-nascida.
Como em todo mangá que se preze, este não se furta de cenas fortes, impactantes. Em contraste com os desenhos em preto e branco, mostra em cores vivas dor e sofrimento, vontade e esperança. A luta pela sobrevivência. A mesquinharia do ser humano quando o mal abate a todos. (confesso que chorei. aliás, choro à toa... huaaihauahuai)
De traços relativamente simples, surge uma das histórias mais bonitas que já vi. Uma história de luta, de perseverança, determinação. Uma história de amor à vida. Uma boa opção de leitura para você que gosta de cultura japonesa, de história, da nona arte, ou apenas procura diversão!