Hoje to sem palavras. Apenas gostaria de dizer bom dia. Ou boa noite, já que ainda são 2h.
Vivemos num corre-corre tão grande, que às vezes nos esquecemos da educação básica. Nunca me esquecerei de um dos meus primeiros dias no Japão. Eu, saindo pra trabalhar, e duas gentis senhoras fazendo caminhada, em alto e bom som, disseram: Ohayo gozaimasu (bom dia).
Por que temos tanto receio de falar com estranhos? Muitas vezes, as pessoas passam por alguém caído no chão (eu, inclusive, admito, morrendo de vergonha), como se não estivesse acontecendo nada. Nem revoltadas com a situação social dos excluídos as pessoas ficam. Estamos insensíveis. Fato. Precisamos de um olhar crítico sobre nós mesmos. Precisamos ter vergonha de nós mesmos. Precisamos assumir nossa culpa, nossa fatia do bolo, pra exorcizarmos os fantamas.
Quando eu digo bom dia, ou boa tarde, ou boa noite, a algum vendedor, ou caixa, o que vem geralmente são dois tipos de reação: ou a reação de surpresa, com um sorriso, ou uma resposta meio que automática, meio que por obrigação. As pessoas têm que voltar a pensar no coletivo, como seres humanos, lindando com seres humanos; e não como máquinas, fazendo tudo automaticamente, e fazendo de conta de que todos ao redor são máquinas.
Não to falando pra que se trate estranhos (melhor, desconhecidos, pois estranhos, todos somos) como amigos íntimos, nem ao menos cumprimentá-los, mas que pensemos a vida coletivamente, pensar mais na necessidade do outro. O mundo é podre por causa do seu individualismo mesquinho, da ganância corruptora e dos desejos mais vis de pessoas vis que não medem limites para vê-los realizados.
Bem, de um boa noite, surgiu isso. Não foi intencional, mas acho que foi um boa noite até que interessante!